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21/03/2019 às 22h07 - atualizada em 27/03/2019 às 10h41

Taboão da Serra / SP

Mestre Assis do Embu completaria 88 anos nesta quinta-feira, 21 de março
Um dos principais idealizadores da Feira de Artes, Assis está na história como um dos maiores artistas do país e do mundo

Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter

Mestre Assis do Embu completaria 88 anos nesta quinta-feira, 21 de março
Assis é considerado um dos mais renomados expoentes da arte internacional. Foto: Elizeu Teixeira Filho/Jornal SP Repórter News

Escultor em madeira, pedra-sabão e terracota, pintor, ator, bailarino e poeta, Claudionor Assis Dias, nosso eterno Mestre Assis do Embu, foi um dos principais responsáveis pela criação da Feira de Embu das Artes e é considerado um dos maiores nomes da arte mundial.


Nascido em Minas Gerais, na cidade de Campo Belo, em 21 de março de 1931, Mestre Assis sempre lutou para colocar Embu em posição de destaque nacional. O artista faleceu em 31 de outubro de 2006.


Em seu Facebook, seu filho Bira do Assis, registrou uma homenagem. “Hoje meu amigo, meu pai, Mestre Assis do Embu, estaria completando 88 anos, se estivesse entre nós, mas saiba que o senhor sempre estará vivo na minha memória, e daqueles que sempre te amaram, e te admiraram aqui entre nós, e continua vivo na memórias desses também. Parabéns!!!”, escreveu Bira.


A equipe do Jornal SP Repórter, na pessoa de seu editor e jornalista Elizeu Teixeira Filho, registra todo o carinho, admiração e amizade pelo querido Mestre Assis do Embu e publica na íntegra um poema marcante de Assis. 


Poema à Margarida


(Autor: Assis de Embu)


Havia flores lindas!


Sobre a relva fétida e espinhosa


Onde urubus passavam sem pousar,


Onde gambás tapavam suas ventas;


Havia flores sobre o asfalto


Esmagadas pelos pneus dos autos,


Pobres pneus que não sabem amar;


Havia flores brotando nas montanhas


Das sementes que eu deixei cair,


Mas o sol,


Mais perto da montanha


Era mais quente


Queimou a flor


Queimou a flor


Havia flores em Hiroshima e Nagasaki


E a bomba atômica desintegrou as flores


Havia flores plantadas sobre as nuvens


E os falsos anjos


Levaram-nas para os falsos deuses


Havia flores nos canteiros das beatas


E elas os levaram para morrer com seus mortos;


Havia flores nas bocas dos canhões 


Até que um dia o homem matou a flor


E o homem...


Havia flores sobre os rios,


Sobre os mares,


Mas o homem na ganância do poder


Destruiu as flores


E ensangüentou os mares


Havia flores nos prostíbulos


E os cafetões pisaram as sementes


Havia flores nos guetos de Varsóvia,


E Hitler massacrou-as com seus tanques


Havia, e ainda há flores


No Vietnã,


Na África,


No Iraque,


Mas os Ianques, os russos


Incendiaram-nas com suas bombas.


Destruíram até as flores que


Eu plantei no meu canteiro


A rosa


O cravo


A violeta


A dália


A papoula


O jasmim


A margarida de ontem


A margarida de hoje


Que ontem era vermelha


E quente como o meu sangue


Que ferveu por ela


Mas, passou-se o tempo


E o seu calor foi, foi sumindo, sumindo...


Hoje a margarida é branca


É pálida, é fria


Só tem no centro


O amarelo do desespero


Porque a canalha


Metralha-as de São Domingos


Por que os homens


Ainda massacram seus irmãos?


Até quando, margarida?


Até quando, margarida?


Até quando, margarida?


 

POR: Elizeu Teixeira Filho

Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter
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