
A presença de políticos nas redes sociais, por si só, não é um problema, ao contrário. Quando bem utilizada, torna-se uma importante ferramenta de transparência e prestação de contas. Há, sim, muitos vereadores, prefeitos, deputados e outros agentes públicos que usam esses canais para mostrar ações em seus bairros, municípios e estados, informar a população e dar visibilidade ao trabalho realizado. Essa postura é louvável e merece reconhecimento.
No entanto, cresce também um movimento que caminha na direção oposta. Em vez de priorizar conteúdos de interesse público, alguns políticos têm optado por uma exposição excessiva da vida pessoal, em uma tentativa clara de se aproximar do universo das celebridades. Vídeos em academias, registros de procedimentos estéticos, passeios em barcos e momentos de lazer em ambientes sofisticados tornaram-se cada vez mais frequentes.
É importante deixar claro: vivemos em uma sociedade livre, e qualquer pessoa, inclusive políticos, tem o direito de compartilhar o que quiser. Não se trata de proibição. A questão central é outra: esse tipo de exposição não é adequado ao papel que se espera de um representante público.
Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, essa superexposição acaba soando desconectada da realidade da população. Enquanto muitos enfrentam dificuldades básicas no dia a dia, veem, nas redes, conteúdos que pouco contribuem com informação, ou melhoria de suas vidas.
Político não é popstar. A política não deve ser tratada como espetáculo. Diferentemente de artistas, cuja função é entreter, os agentes públicos têm a responsabilidade de representar, ouvir e agir em favor da sociedade.
O que a população espera, e tem o direito de esperar, é justamente o contrário da superficialidade: ações concretas, compromisso com a saúde, com a educação, com a área social, com a infraestrutura e, acima de tudo, respeito com quem enfrenta os desafios diários.
As redes sociais, quando usadas com responsabilidade, aproximam o poder público da população. Mas, quando utilizadas para autopromoção vazia, afastam e desgastam a imagem da política.
Este editorial reforça, portanto, um princípio simples: mais do que exposição, a sociedade precisa de compromisso. Mais do que aparência, precisa de resultado. Porque governar não é sobre se destacar, é sobre servir.
Mín. 16° Máx. 22°