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09/08/2019 às 22h53

Taboão da Serra / SP

Embu das Artes SP : Raquel Trindade é homenageada em festival na cidade
Serão mais de 10 horas de atrações como roda de capoeira, maracatu, samba de roda, exposição de fotografias, poema e muito mais

Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter

Embu das Artes SP : Raquel Trindade é homenageada em festival na cidade
Artista Raquel Trindade é homenageada em festival na cidade

Em celebração ao aniversário de nascimento da artista plástica Raquel Trindade, o Teatro Popular Solano Trindade abre suas portas neste sábado, 10/8 para o Primeiro Festival Raquel Trindade, um dia dedicado à dança, à festa e aos amigos. Serão mais de 10 horas de atrações como roda de capoeira, maracatu, samba de roda, exposição de fotografias, poema e muito mais. O evento tem apoio da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Embu das Artes.


Raquel: uma artista única


Raquel nasceu em Recife, Pernambuco, em 10 de agosto de 1936. Filha do poeta Solano Trindade (também folclorista, pintor, ator, teatrólogo e cineasta) e da coreógrafa e terapeuta ocupacional Maria Margarida Trindade, mudou-se com a família para Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, na década de 1940. Pouco depois, a família mudou-se para São Paulo, onde iniciou amizade com diversos artistas.


 Por meio do Mestre Assis do Embu, aluno do terracotista Mestre Sakai, Solano Trindade veio para Embu das Artes em 1962. Tem início a influência da cultura negra nas artes de Embu. Solano, juntamente com sua filha Raquel, congregou vários artistas que passaram a viver e produzir suas obras na cidade, além de ser o mentor do movimento que, nos anos 60, trouxe mais uma tradição dos Santos para Embu, desta vez, a dos orixás africanos.


 Para homenagear Solano (falecido em 1974), Raquel Trindade fundou, há 43 anos, o Teatro Popular Solano Trindade, em Embu das Artes, mantendo viva a herança e o legado do pai que, em 1950, havia criado o Teatro Popular Brasileiro, no Rio de Janeiro, em parceria com Maria Margarida Trindade, sua primeira esposa e mãe de Raquel, e o amigo pesquisador Edson Carneiro.


 Com Edson, Raquel percorreu a Polônia e a República Tcheca (ex-Tchecoslováquia) para mostrar a sua dança. Mesmo sem ter feito uma faculdade, foi convidada para lecionar sobre folclore e teatro negro na Universidade de Campinas (Unicamp) em 1977, e depois ministrou o curso de extensão “Identidade Cultural Afro-Brasileiro”, em parceria com a Secretaria de Educação de Embu das Artes.


 A artista também publicou livros: um sobre a história de Embu das Artes, uma segunda edição ampliada, uma trilogia sobre os orixás, e um sobre instrumentos musicais africanos.


 Solano Trindade não poderia deixar uma herança mais multirracial e cultural. A família Trindade mistura negros, brancos, amarelos, índios. “Papai já tinha a visão de que a gente se uniria a todas as raças, tanto que tenho netos ‘japonegro’, afro-germânico, e papai falava ‘tenha orgulho de ser negro e das nossas tradições’”, ressaltou Raquel certa vez.


 Ao longo das quatro décadas de existência, sempre com Raquel Trindade à frente, o Teatro Popular Solano Trindade tornou-se referência na preservação e promoção da cultura negra e popular. Hoje, oferece oficinas de dança afro-brasileira, percussão, hip hop, dança de salão, dança afro, entre outros ritmos da cultura popular brasileira.Também realiza ensaios abertos de maracatu, coco, samba lenço, cafezal, lundu colonial, jongo, ciranda, bumba meu boi, ritmos dos Orixás etc.


 Assim como no maracatu a principal personagem é a rainha, no Teatro Popular Solano Trindade a estrutura matriarcal se manteve. Embora hoje o Teatro seja gerido pela família Trindade como um todo, sua existência continua centrada no protagonismo de Raquel, a Rainha Kambinda.


 Ativista da cultura negra, artista plástica, dançarina, coreógrafa e também fundadora da Nação Kambinda de Maracatu, Raquel Trindade foi uma mulher que viveu a pluralidade das artes durante todos os seus dias.


 Serviço:


Primeiro Festival Raquel Trindade


10/8, a partir das 10h


Teatro Popular Solano Trindade


Rua São Paulo, 176, Jd. Sílvia, Embu das Artes


 

POR: Sandra Martins

Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter
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