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Embu das Artes: conheça um pouco da história da artista Raquel Trindade

Nesta semana a nossa homenageada é a artista Raquel Trindade. Conheça um pouco de sua história

06/02/2021 13h26
Por: Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter Fonte: Elizeu Teixeira Filho
No mês de aniversário de Embu das Artes: conheça um pouco da história da artista Raquel Trindade
No mês de aniversário de Embu das Artes: conheça um pouco da história da artista Raquel Trindade

A cidade de Embu das Artes comemora no dia 18 de fevereiro, 62 anos de Emancipação Político Administrativa. Para comemorar a data o Jornal SP Repórter homenageia algumas pessoas que fizeram parte da história do município.

Nesta semana a nossa homenageada é a artista Raquel Trindade. Conheça um pouco de sua história.

Raquel nasceu em Recife, Pernambuco, em 10 de agosto de 1936. Filha do poeta Solano Trindade (também folclorista, pintor, ator, teatrólogo e cineasta) e da coreógrafa e terapeuta ocupacional Maria Margarida Trindade, mudou-se com a família para Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, na década de 1940. Pouco depois, a família mudou-se para São Paulo, onde iniciou amizade com diversos artistas.

Por meio do Mestre Assis do Embu, aluno do terracotista Mestre Sakai, Solano Trindade veio para Embu das Artes em 1962. Tem início a influência da cultura negra nas artes de Embu. Solano, juntamente com sua filha Raquel, congregou vários artistas que passaram a viver e produzir suas obras na cidade, além de ser o mentor do movimento que, nos anos 60, trouxe mais uma tradição dos Santos para Embu, desta vez, a dos orixás africanos.

Para homenagear Solano (falecido em 1974), Raquel Trindade fundou, há 43 anos, o Teatro Popular Solano Trindade, em Embu das Artes, mantendo viva a herança e o legado do pai que, em 1950, havia criado o Teatro Popular Brasileiro, no Rio de Janeiro, em parceria com Maria Margarida Trindade, sua primeira esposa e mãe de Raquel, e o amigo pesquisador Edson Carneiro.

Com Edson, Raquel percorreu a Polônia e a República Tcheca (ex-Tchecoslováquia) para mostrar a sua dança. Mesmo sem ter feito uma faculdade, foi convidada para lecionar sobre folclore e teatro negro na Universidade de Campinas (Unicamp) em 1977, e depois ministrou o curso de extensão “Identidade Cultural Afro-Brasileiro”, em parceria com a Secretaria de Educação de Embu das Artes.

A artista também publicou livros: um sobre a história de Embu das Artes, uma segunda edição ampliada, uma trilogia sobre os orixás, e um sobre instrumentos musicais africanos.

Ao longo das quatro décadas de existência, sempre com Raquel Trindade à frente, o Teatro Popular Solano Trindade tornou-se referência na preservação e promoção da cultura negra e popular. Hoje, oferece oficinas de dança afro-brasileira, percussão, hip hop, dança de salão, dança afro, entre outros ritmos da cultura popular brasileira.Também realiza ensaios abertos de maracatu, coco, samba lenço, cafezal, lundu colonial, jongo, ciranda, bumba meu boi, ritmos dos Orixás etc.

Ativista da cultura negra, artista plástica, dançarina, coreógrafa e também fundadora da Nação Kambinda de Maracatu, Raquel Trindade foi uma mulher que viveu a pluralidade das artes durante todos os seus dias. Ela faleceu em 2018.

 

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