
Nasci em 1993. Portanto, minhas observações sobre Taboão da Serra se iniciam nos anos 90.
Cheguei a pegar o tempo em que a cidade ainda não tinha shopping, não tinha grandes mercados e nem a influência da internet no cotidiano.
Eram 197.550 habitantes em estimativa do IBGE em 1999, por exemplo. Número bem menor que os atuais 300 mil habitantes.
No bairro em que fui criado na cidade, me recordo que era possível brincar de futebol na rua sem tanta movimentação de carros, nos anos 90 e anos iniciais de 2000.
No mesmo bairro, em 2026, as crianças brincarem se tornou praticamente impossível. E não apenas pelo intenso trânsito de veículos, mas também pelo receio das famílias com a segurança.
Na virada do milênio, já da minha janela, conseguia avistar mais áreas verdes em Taboão da Serra do que as que existem hoje.
Outro ponto que me chama a atenção é que Taboão da Serra se tornou muito mais comercial. A chegada do Shopping Taboão, do Extra (atual Assaí) e do Wal-Mart (atual Atacadão) foi um divisor de águas nesse aspecto.
No momento em que esses empreendimentos se instalaram, o município foi diminuindo sua marca de cidade-dormitório. A geração de emprego e renda se ampliou.
Foi muito bom, ter na minha infância, um shopping na minha cidade. É inegável que o Shopping Taboão trouxe um ânimo forte aos moradores, que antes precisavam buscar opções em outras cidades como São Paulo.
Um ponto que, desde quando eu era criança, até hoje não registrou avanços significativos é o lazer. Como disse, a gente brincava na rua do bairro, não havia tanto movimento. Tudo era mais tranquilo.
Mas a cidade já carecia, naquela época, de parques, áreas verdes para passeio, quadras poliesportivas e outros equipamentos que são instrumentos de lazer dos moradores.
A situação permanece crítica nesse aspecto, em 2026. As famílias praticamente não têm locais públicos para se divertir, fazer piquenique e praticar esportes.
Minha percepção ao longo das últimas três décadas é que Taboão da Serra trilhou firmemente o caminho do desenvolvimento econômico, o que traz, sim, benefícios. O Poder Público, inclusive, ampliou o seu orçamento anual, que em 2026 é de R$1,74 bilhão. O crescimento urbano e financeiro da cidade permite que a Prefeitura tenha mais condições de melhorar a vida de seus habitantes.
Entretanto, o crescimento de Taboão da Serra, inclusive o vertical, implica não apenas benefícios, mas também desafios. Além da questão do lazer, a mobilidade urbana, a saúde pública e a educação são muito afetadas nos últimos anos.
Deixo neste artigo, de forma colaborativa, as minhas impressões sobre Taboão da Serra nas últimas décadas.
Acredito que muitas respostas para o que a população quer para o futuro estão nas vivências e no presente. Com algumas intervenções que assegurem mais qualidade de vida, Taboão da Serra poderá ser uma cidade cada vez melhor.
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