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Veja algumas pessoas que levaram o nome de Embu das Artes para o mundo

Em especial, muitos dos nomes que ficaram reconhecidos nacionalmente são artistas

20/02/2020 às 20h21 Atualizada em 20/02/2020 às 21h15
Por: Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter Fonte: .
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Foto: PMEA
Foto: PMEA

Embu das Artes é uma cidade reconhecida como um dos principais pontos turísticos do Estado de São Paulo. E por isso mesmo, muitos dos nomes mais marcantes do município em termos de renome estão ligados a Arte. 

Com o objetivo de homenagear alguns deles (certamente há outras pessoas), o jornal listou algumas das personalidades que ganharam fama nacional e internacionalmente e levaram ou ainda levam o nome de Embu das Artes para todo o mundo.

Confira algumas delas: 

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Assis do Embu

Nascido na cidade mineira de Campos Gerais em 21 de março de 1931, Assis chegou à Embu em 1959. Na cidade natal trabalhou como pedreiro, frentista e fazia altos-relevos na fachada de casas coloniais. Ensinou modelagem em Poços de Caldas. Escultor em madeira, pedra-sabão e terracota, pintor, ator, bailarino e poeta, Claudionor Assis Dias, foi um dos principais responsáveis pela criação da Feira de Embu das Artes e um dos mais ilustres cidadãos embuenses.

O primeiro trabalho em São Paulo também foi de pedreiro. Em 1959, procurou o artista Cássio M´Boy e passou a frequentar seu ateliê. Aprendeu técnicas de cerâmica com o Mestre Sakai e aliou-se também ao poeta Solano Trindade, que na época fazia apresentações com o seu Teatro Popular Solano Trindade, para várias realizações. Assis e Solano faziam festas num barraco da Rua Siqueira Campos, no Centro Histórico, que duravam vários dias e atraíam turistas.

No Barraco do Assis, o primeiro centro cultural da cidade, o Mestre deu aulas de escultura de madeira, pedra e bronze. Foi nesse local, o seu ateliê, que o artista fundou o "Movimento do Embu", com parceria de Solano e grupo. Assis foi secretário de Turismo e Cultura do município, em 2000. Além de artista talentoso, com obras espalhadas pelo Brasil e exterior, Assis encantava com a sua poesia, a exemplo do Poema a Margarida, em que diz: ...”Havia flores brotando nas montanhas/ Das sementes que eu deixei cair,/ Mas o sol,/ Mais perto da montanha/ Era mais quente/  Queimou a flor/ Queimou a flor...” Faleceu em 2006, aos 75 anos.

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Sakai do Embu

O artista plástico Tadakyio Sakai, terracotista, um dos mais importantes do País, deixou importante legado para Embu das Artes e o Brasil.

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No país, Sakai ocupa assento ao lado de outros grandes artistas, incluindo a também japonesa, de Kyoto, moradora de São Paulo, Tomie Otake, da qual foi amigo. O trabalho de Sakai despertou a mesma atenção que os do pernambucano Mestre Vitalino (1909-1963) e do português, que viveu em Goiás, Antônio Poteiro (1925-2010). Pode-se ainda incluir nessa nobre turma Joana Imaginária, segunda mulher de Antonio Conselheiro (1830-1897), chamada de Santeira por esculpir santos. Todos surpreenderam ao lidar com o barro.

Em Embu das Artes, Sakai consolidou a sua carreira, ao mesmo tempo em que se empenhou como ninguém para tornar a cidade um recanto das artes. Nascido em Nagasaki, Japão, ele chegou ao Brasil em 1928 e a Embu das Artes em 1930. Suas obras estão no Memorial Sakai (Rua Rebolo Gonzales, 185, Cercado Grande), inaugurado em 2003, e que tem como coordenadora a discípula do mestre Tônia do Embu. É centro de cultura, oferecendo à população cursos e oficinas de cerâmica gratuitos, e atração turística da cidade. No Memorial, você pode ver as obras e saber muito mais sobre a presença de Sakai no território embuense.

Tadakiyo Sakai presenteava amigos com o touro de terracota que criou e tornou a sua marca. Para ele, era fonte de energia. O museu expõe essa e outras peças, como a Via Crúcis e um baixo relevo da Festa de Santa Cruz. Sakai acrescentou à cultura oriental elementos da cultura brasileira, indígena, católica e cabocla, acentuando uma identidade de traços entre a arte japonesa e a indígena do Brasil. Via-crúcis é composta por baixos-relevos de cerâmica que representam a Paixão de Cristo, cenas do cotidiano da época, de lendas nacionais e do folclore local.

Além da sua arte e de ter ensinado e influenciado muitos ceramistas, Sakai ajudou a resgatar e preservar a Festa de Santa Cruz, iniciada com os jesuítas e os índios no século 17. Sakai foi ainda o idealizador do Salão de Artes Plásticas de Embu e presidente das primeiras edições desse evento, que contou com participação dos artistas Antenor Carlos Vaz, Claudionor Assis Dias, Cirso Teixeira, Josefina Azteca, Sizuca de Embu, Margarida Garcia e Ester Robacov. Nos anos 1970, ele organizou e, com alunos, montou o Grupo Sakai do Embu, que organizava exposições em diversas cidades. (Texto sobre Sakai: Elke Lopes Muniz, jornalista).

 

Solano Trindade

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Em 24 de julho de 1908, no bairro São José, Recife (PE), nascia Francisco Solano Trindade, ou Solano Trindade, como viria a ser conhecido o principal poeta negro contemporâneo da cultura popular afro-brasileira. Sua obra - que inclui o poema "Tem Gente com Fome" cantado por Ney Matogrosso - foi elogiada por intelectuais como Roger Bastide, Sergio Milliet e Carlos Drummond de Andrade. 

No Embu (SP), ele chegou em 1961 e se apaixonou pela cidade, sendo um dos precursores do movimento que a transformaria em Embu das Artes. Falecido em 1974 no Rio de Janeiro, Solano Trindade deixou uma rica herança artística que continua sendo celebrada no Teatro Popular Solano Trindade.

Solano foi também ator, com atuação em filmes como O Santo Milagroso e co-produtor de Magia Verde, premiado em Cannes. Foi também folclorista e teatrólogo. (Texto: PMEA).

   

Raquel Trindade

Raquel nasceu em Recife, Pernambuco, em 10 de agosto de 1936. Filha do poeta Solano Trindade (também folclorista, pintor, ator, teatrólogo e cineasta) e da coreógrafa e terapeuta ocupacional Maria Margarida Trindade, mudou-se com a família para Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, na década de 1940. Pouco depois, a família mudou-se para São Paulo, onde iniciou amizade com diversos artistas.

Por meio do Mestre Assis do Embu, aluno do terracotista Mestre Sakai, Solano Trindade veio para Embu das Artes em 1962. Tem início a influência da cultura negra nas artes de Embu. Solano, juntamente com sua filha Raquel, congregou vários artistas que passaram a viver e produzir suas obras na cidade, além de ser o mentor do movimento que, nos anos 60, trouxe mais uma tradição dos Santos para Embu, desta vez, a dos orixás africanos.

Para homenagear Solano (falecido em 1974), Raquel Trindade fundou, há 43 anos, o Teatro Popular Solano Trindade, em Embu das Artes, mantendo viva a herança e o legado do pai que, em 1950, havia criado o Teatro Popular Brasileiro, no Rio de Janeiro, em parceria com Maria Margarida Trindade, sua primeira esposa e mãe de Raquel, e o amigo pesquisador Edson Carneiro.

Com Edson, Raquel percorreu a Polônia e a República Tcheca (ex-Tchecoslováquia) para mostrar a sua dança. Mesmo sem ter feito uma faculdade, foi convidada para lecionar sobre folclore e teatro negro na Universidade de Campinas (Unicamp) em 1977, e depois ministrou o curso de extensão “Identidade Cultural Afro-Brasileiro”, em parceria com a Secretaria de Educação de Embu das Artes.

A artista também publicou livros: um sobre a história de Embu das Artes, uma segunda edição ampliada, uma trilogia sobre os orixás, e um sobre instrumentos musicais africanos.

Ao longo das quatro décadas de existência, sempre com Raquel Trindade à frente, o Teatro Popular Solano Trindade tornou-se referência na preservação e promoção da cultura negra e popular. Hoje, oferece oficinas de dança afro-brasileira, percussão, hip hop, dança de salão, dança afro, entre outros ritmos da cultura popular brasileira.Também realiza ensaios abertos de maracatu, coco, samba lenço, cafezal, lundu colonial, jongo, ciranda, bumba meu boi, ritmos dos Orixás etc.

Ativista da cultura negra, artista plástica, dançarina, coreógrafa e também fundadora da Nação Kambinda de Maracatu, Raquel Trindade foi uma mulher que viveu a pluralidade das artes durante todos os seus dias. Ela faleceu em 2018.

 

Wanderley Ciuffi

Atualmente com 78 anos, Wanderley Ciuffi (Guaranésia, Minas Gerais) é pintor, desenhista e escultor. Nasceu em 31 de janeiro de 1942. Autodidata, em 1964 se estabelece em Embu das Artes. No ano seguinte, participa do 2º Salão de Artes de Embu, no qual é o segundo colocado. Em 1968, tem exposição individual na Galeria Varanda em São Paulo. Durante a década de 1970, participa da Exposição Hiroshima e Nagasaki – reportagem fotográfica de um evento histórico -, e de diversas edições do Salão de Artes de Embu. Nos anos de 1970 e 1983 expõe na Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP).

 Em 1978, faz um mural no Hotel Urupema, em São José dos Campos, São Paulo, e, no ano seguinte, participa de exposição coletiva no mesmo hotel. Em 1984, integra a campanha para formação do Conselho Municipal de Cultura de São José dos Campos. Ainda na década de 1980, realiza estudos para publicação O Rio São Francisco é uma Miragem? - Estudo Sócio-político-econômico na Visão de um Artista. Em 1996, expõe no salão da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Em 2009, durante viagem de estudos, expõe na Galeria Colorida, em Lisboa, Portugal – sua primeira exposição em galeria europeia.

No ano seguinte, integra a comissão organizadora do 27º Salão de Artes Plásticas de Embu das Artes. Sua obra, a princípio influenciada pelo expressionismo do pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944) e pela angústia do autor perante o período da ditadura militar brasileira, ganha, nos anos 1990, novos ares, com traços mais leves e paleta mais suave. (Texto: PMEA).

 

Tônia do Embu 

Tônia do Embu faz parte do grupo de apaixonados pelo barro e resgatar a tão nobre técnica da terracota tem sido seu objetivo durante toda sua vida e à frente da coordenação do Memorial Sakai, museu e escola que ensina a jovens e adultos a nobre arte de manuseio do barro até ele virar escultura em terracota, um material constituído por argila cozida no forno, sem ser vidrada, com cor natural laranja acastanhado, por vezes avermelhada.

A ceramista nasceu em Embu, foi aluna de Mestre Sakai e hoje ajuda a preservar a sua memória e a formar novos escultores entre os alunos de todas as idades que freqüentam as oficinas do Memorial Sakai que, além de museu, é uma escola gratuita da arte em cerâmica, e que em três anos recebeu cerca de 25 mil visitantes e 300 alunos, principalmente de escolas do município e região. Nascido no Japão, Sakai chegou ao Embu em 1952, onde conheceu e conviveu com Cássio M´Boy e um grupo incrível de artistas que tornaram a cidade conhecida em todo o mundo por sua arte. (Texto: PMEA).

Assis do Embu

Sakai

Raquel Trindade 

Wanderley Ciuffi

Solano Trindade 

Tônia do Embu 

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