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Cientistas dos institutos Oswaldo Cruz e Pasteur, na França, alertam para risco de chikungunya em áreas de mata

O vírus da chikungunya pode sair das cidades para as matas brasileiras, tornando-se silvestre e impossibilitando a erradicação da doença no país

06/04/2019 às 21h06 Atualizada em 06/04/2019 às 21h14
Por: Por Elizeu Teixeira Filho, do Jornal SP Repórter Fonte: Isabela Vieira
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Coordenador do estudo, cientista Ricardo Lourenço diz que avanço para áreas silvestres tornaria doença endêmica no Brasil - Foto divulgação: Gutemberg Brito/IOC/Fiocruz
Coordenador do estudo, cientista Ricardo Lourenço diz que avanço para áreas silvestres tornaria doença endêmica no Brasil - Foto divulgação: Gutemberg Brito/IOC/Fiocruz

O vírus da chikungunya pode sair das cidades para as matas brasileiras, tornando-se silvestre e impossibilitando a erradicação da doença no país. O alerta é de cientistas dos institutos Oswaldo Cruz e Pasteur, na França, que tiveram artigo publicado na revista científica internacional PLOS Neglected Tropical Diseases.

O documento foi divulgado nesta semana pela Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. O processo é semelhante ao da febre amarela, doença de origem africana que se tornou endêmica no Brasil e, de tempos em tempos, espalha-se das matas para áreas urbanas.

Na pesquisa coordenada pela Fiocruz, os cientistas constataram que mosquitos silvestres como o Haemagogus leucocelaenus e a Aedes terrens, comuns na América do Sul, são capazes de transmitir o vírus da chikungunya entre três e sete dias, o que significa alto potencial de disseminação.

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Hoje, tanto a chikungunya, também de origem africana, como a febre amarela são transmitidas no Brasil pelo mosquito Aedes aegypti. As duas doenças provocam febres e fortes dores pelo corpo.

Nas cidades, o transmissor da chikungunya é o mosquito Aedes aegypti, que se infecta picando uma pessoa doente e transmitindo para outras pessoas. Na floresta africana, onde foi identificada, os mosquitos silvestres contraem o vírus picando macacos doentes. A infecção humana só ocorre por acidente, quando uma pessoa é picada na mata.

Segundo o chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e coordenador do estudo, Ricardo Lourenço de Oliveira, o avanço para áreas silvestres torna o vírus mais difícil de ser enfrentado, podendo levar ao aumento no número de casos. “Esse cenário apresentaria um grave problema de saúde pública, uma vez que a infecção se tornaria mais difícil de controlar”, afirma. Nas florestas, o combate ao mosquito é impossível.

Para os cientistas, é necessário começar, o quanto antes, o monitoramento de regiões em áreas de mata. “É fundamental incorporar o chikungunya em uma rotina de vigilância no ambiente silvestre”, diz Lourenço. Isso inclui a verificação de mosquitos e de macacos para avaliar se a transmissão já está ocorrendo próximo a florestas e monitorar esta possibilidade.

Interiorização

Com a febre amarela, o percurso do vírus foi da cidade para as florestas. Trazidas para as Américas, a doença primeiro circulou em áreas urbanas, provocando epidemias, depois, próximo de matas. Com as campanhas de combate ao Aedes, no entanto, os episódios diminuíram.

Nas regiões de floresta, a vacinação se tornou a única forma e prevenir os casos de febre amarela, segundo a Fiocruz, apesar de inúmeros problemas de cobertura. Os cientistas lembram, no entanto, que ainda não foi descoberta vacina para a chikungunya.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Rio, estado com o maior número de casos do país, o registro é duas vezes maior do que o de dengue. As 6,7 mil ocorrências em 2019 representam uma alta de 14% diante das 5,8 mil em 2018. Altos índices de notificações também foram observados em Tocantins, no Pará e no Acre.

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Para prevenir a migração da chikungunya, os cientistas querem mais estudos. Os mosquitos silvestres, explicam, não se desenvolvem bem em laboratório, justamente por serem selvagens. Também não ficou comprovado que macacos conseguem hospedar o vírus.

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